Começa hoje em Contagem o julgamento do goleiro Bruno
segunda-feira, 4 de março de 2013Começa daqui a pouco, às 9h, no Tribunal do Júri do Fórum de Contagem (MG), o julgamento popular do goleiro Bruno Fernandes e da ex-mulher dele, Dayanne do Carmo. O ex-jogador do Flamengo sentará no banco dos réus para responder pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado da ex-amante Eliza Samudio. Dayanne será julgada pelos crimes de sequestro e cárcere privado do menino Bruninho, que Eliza afirmava ser filho do goleiro. Se condenado, a pena do ex-atleta poderá chegar a 41 anos. A ex-mulher poderá ser condenado até 5 anos de prisão.
A expectativa é de que o julgamento dure entre três e cinco dias e, provavelmente, termine, por coincidência, na sexta-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, data marcada por protestos contra a violência em desfavor das mulheres.
O júri será presidido por Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, uma magistrada de pulso firme que, desde o início do processo, em junho de 2010, enfrentou acusações e provocações, feitas pelos advogados na cidade de Contagem, de que estaria agindo de forma parcial, pré-julgando o atleta e os outros envolvidos. Dezenas de pedidos para que ela fosse afastada, ou o júri transferido para outra comarca, foram feitos pelos defensores, mas nem a própria juíza, muito menos o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJ-MG) e o Supremo Tribunal Federal (STF) acataram as reivindicações.
Sete cidadãos comuns serão escolhidos para formar o conselho de sentença e decidir se Bruno e Dayanne são culpados ou não. De um lado, caberá ao promotor de Justiça Henry Wagner Vasconcelos de Castro provar que Eliza foi morta numa trama macabra a mando de Bruno. De outro, estarão encarregados de desqualificar as acusações do Ministério Público os advogados Francisco Simin, que defende Dayanne, e Lucio Adolfo, que representa Bruno. Lucio Adolfo é um dos mais experientes advogados criminalistas do País. Ele participou de mais de mil júris e já teve entre seus clientes o megatraficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.
Ao contrário do primeiro julgamento do caso, em novembro do ano passado, quando ainda havia a dúvida se Eliza havia sido morta ou não, desta vez Bruno e Dayanne enfrentarão o que pode se chamar de fogo amigo: a confissão do ex-braço-direito do atleta, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão.
No depoimento que deu no júri em que saiu condenando a 15 anos de cadeia, Macarrão contou que levou a modelo para a morte e a entregou a um homem que faria o serviço na noite do dia 10 de junho de 2010. Segundo Macarrão, por ordem de Bruno, que o chamava de “bundão” caso não fizesse o que o atleta estava pedindo: “Eu sou p… deixa comigo”, teria dito Bruno ao ex-amigo. Além de Macarrão, a outra ex-amante de Bruno, Fernanda Gomes Castro, também foi condenada no primeiro julgamento do caso. Ela cumpre cinco anos de prisão no regime aberto pelo sequestro e cárcere privado de Eliza e Bruninho.
Ao assumir o crime, acusando Bruno de ser o mandante da morte de Eliza e também, por consequência, “de ter acabado com a vida dele”, como lamentou, Macarrão causou surpresa. Ele, no entanto, estaria apenas cumprindo parte do acordo que teria feito com o assistente de acusação José Arteiro Cavalcante Lima. Um dia antes da confissão, Arteiro deu várias entrevistas antecipando que Macarrão iria acusar o ex-amigo para tentar diminuir a pena. O advogado de defesa de Macarrão, Leonardo Diniz, e o promotor de Justiça Henry Castro, disseram na época desconhecer qualquer acordo.
Agora, o depoimento de outro importante personagem na trama deverá ser o elo que falta para esclarecer todas as dúvidas que ainda pairam sobre como Eliza Samudio morreu, segundo a polícia, executada pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Jorge Luiz Rosa, primo de Bruno, foi a pessoa que esteve com Eliza e Macarrão desde o momento em que a modelo foi sequestrada em um hotel no Rio de Janeiro, no dia 4 de junho de 2010, até a hora que foi estrangulada por Bola, seis dias depois, de acordo com as investigações.
Na época, Rosa tinha 17 anos. Foi detido depois que um tio procurou uma rádio do Rio de Janeiro dizendo que o sobrinho estava “apavorado” com o crime que presenciara. De acordo com o processo judicial, Rosa afirmou em depoimento ter visto Eliza ser morta. O adolescente ainda teria contado os detalhes do crime, citando os “olhos esbugalhados” da vítima e afirmando que uma das mãos da vítima fora jogada aos cães da raça Rotweiller que Bola criava.
Por ser menor de idade na ocasião, Jorge Luiz Rosa foi condenado a três anos de internação, pena da qual cumpriu um ano e dois meses. Depois de solto, foi incluído no programa de proteção à testemunha do governo federal, de onde saiu, segundo o ex-advogado dele, Eliézer Jonatas de Almeida, “por vontade própria”.
Em recente e confusa entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, na qual chegou a pedir para refazer algumas respostas, Rosa negou que tivesse visto a modelo ser morta. O rapaz afirmou que foi Macarrão quem contou a ele que ela foi executada. Perguntado sobre o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o primo de Bruno gaguejou e disse não conhecer Bola, assim como fez Macarrão no momento que confessou o crime no julgamento de novembro do ano passado. Tanto Jorge Luiz Rosa quanto Macarrão disseram apenas que Eliza foi entregue a um homem, o qual não sabiam a identidade.
Para o promotor de Justiça Henry Wagner Vasconcelos Castro, a entrevista de Jorge Luiz Rosa foi uma tentativa dos advogados de defesa para jogar toda a culpa do crime em Macarrão, já condenado, e assim diminuir a pena de Bruno. O ex-advogado de Jorge disse desconhecer qualquer pressão sobre o rapaz, mas o aconselhou, em entrevista ao Terra, que Rosa “seja homem” para comparecer e contar o que sabe. “Ele não foi homem suficiente para dar uma entrevista dessas em rede nacional? De cara limpa? Agora ele que enfrente”, concluiu o advogado, explicando também que, como foi intimado e não está sob a custódia do Estado, Jorge Luiz Rosa deverá ir até o Fórum de Contagem sozinho.
Fonte: Portal Terra
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